O anúncio, afirma, ocorre “depois do 30 de setembro, quando o presidente Correa sequestrou os meios de comunicação por mais de sete horas, e só havia uma versão [dos fatos] que era a do governo, em que ele convocava e exortava os equatorianos para que fossem ao hospital onde ele se encontrava detido”.

Estudantes participam de cerimônia militar em frente ao palácio do governo do Equador, em Quito, nesta segunda-feira (4). (Foto: AP)
Gilmar Gutiérrez rechaça a versão de alguns analistas de que Correa teria saído fortalecido da crise, já que obteve o apoio de organismos internacionais como o Unasul e OEA após denunciar o que ele classificou como uma tentativa de golpe.
“Respeito essas avaliações, mas minha análise é que aqui no país temos dois perdedores: um é justamente o país inteiro e o outro grande perdedor é Rafael Correa”, afirma. “Tiveram que resgatá-lo as Forças Armadas e não a população. Tiveram que montar uma operação com os militares, que são mal pagos, atirando contra policiais igualmente mal pagos e pobres. Então o resultado dessa aventura do presidente Correa foi um enfrentamento entre o povo pobre que ele diz apoiar e uma perda lamentável de vidas humanas.”
A despeito da promessa de rever a lei, no entanto, Gutiérrez acredita que o presidente praticamente já conseguiu promulgá-la, já que terminou na segunda o prazo para que os parlamentares rejeitassem ou acatassem o veto do presidente no Parlamento –que só volta a funcionar nesta terça (5).
“É um passo grande que [o presidente] dá em sua intenção de concentrar todo poder”, disse o parlamentar ao comentar que, para além das medidas que afetam os policiais e militares, a lei traz um artigo que submete todos os servidores públicos ao ministro das Relações Trabalhistas.
“Com isso, pois, se acaba a independência das funções em nosso país, porque mina a autonomia de outras funções do Estado e isso era o que perseguia o presidente da República. A democracia deste país está ameaçada por esse governo”, critica.
Sobrinha em resgate
Irmão do presidente deposto Lucio Gutiérrez, Gilmar Gutiérrez confirmou ao G1 que uma das filhas do ex-presidente,a subtenente do exército equatoriano Karina, participou da operação de resgate de Rafael Correa do hospital onde ficou por mais de dez horas cercado pelos policiais rebelados.
Segundo o parlamentar, o irmão, que é coronel reformado e vive no Brasil, “ficou orgulhoso que a filha tenha cumprido sua missão nas Forças Armadas”. Uma mensagem divulgada pela mídia equatoriana em que Karina relata ao pai sobre a participação na operação é autêntico, segundo o tio.
Opositores ferrenhos do governo de Correa, os Gutiérrez foram acusados pelo presidente de tramarem os protestos policiais para desestabilizar seu governo.
Fonte: G1
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